A Pinta Lili é hoje uma cadelita envolvida por carinho e cuidados que ela nunca tinha conhecido.
Quando era ainda cachorrinha um humano insensato resolveu fazer dela o seu “animal de companhia”, e levou-a para casa. Não sabemos por que razão, mas provàvelmente porque faria as suas necessidades em casa e o homem não sabia que fazer, resolveu prendê-la com um curtíssimo cordão à grade duma varanda! Pelos vistos durante o seu primeiro ano de vida aquele infeliz ser vivo não soube o que era uma taça com água, e alimento não o deveria ter diàriamente!! Ninguém lhe dava mimos e não havia gestos de ternura. Ela de verão e de inverno só sabia pôr as patitas sobre a grade e ladrar quanto podia. O pêlo havia crescido formando grossos nós cheios de sujidade. Era um total abandono.
Alguém vizinho seguia o dia a dia daquela criaturinha que vivia no inferno.Queriam intervir mas tinham receio de represálias – é sempre o mesmo, toda a gente tem medo de vinganças e calam-se quando deviam, de facto, denunciar! Mas estes vizinhos estavam demasiado condoidos com o sofrimento daquele pobre animalzinho.Encheram-se de coragem e contactaram com o GRUMAPA- Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais.
Aí entrei em acção. Chamei o meu Amiguinho Fábio, um dos sócios mais activos do Grumapa, desde os seus catorze anitos, contei-lhe o caso e aí vamos nós metidos no”Latinhas”(um velhote R5 que ainda está para as curvas) a caminho da respectiva casa.
A primeira pessoa que encontrámos era uma rapariga, ex mulher do dono do animal, que nos recebeu da forma mais agressiva e mal educada que se possa imaginar!! Aliás, isto nem é novidade nenhuma para nós.Quando há uma informação de maus tratos a animais e nós nos dirigimos às pessoas em causa o mais educadamente possível,a primeira reacção dessa gente é insultar e berrar. Depois, quando percebem que podemos lá voltar com GNR, aí já baixam a bolinha! Bom,mas continuando com a odisseia…Chega entretanto o homem, dizemos ao que vamos “saber das condições de vida em que tem o animal”…Aí ele atrapalha-se, que ter arranjado a cadelinha que tinha sido um disparate, que pensava que era uma coisa, mas que saiu outra!…Enfim! que ia mudar para um apartamento,se eu não podia ficar com ela…Que havia eu de fazer?! Ele trouxe-me o animal a casa, metia dó! pobre bichinha,um ano de vida a viver num inferno! - O pêlo crescido cheio de nós,emaranhados, com um cheiro terrível insuportável. Na garagem onde a pus corria desalmadmente sempre a ladra, a defender-se,nem sabia de quê,claro.
Naquele primeiro ano de vida foi o que aprendeu — ladrar, ladrar do cimo duma varanda! Foi uma trabalheira para a conseguirmos agarrar. Estrebuchava,tentava libertar-se. Foi preciso bastante tempo com os gestos possíveis de carinho e palavras suaves tentar acalmá-la. Aos poucos, aos poucos, começou a perceber que estava entre AMIGOS.Sossegou, finalmente,o suficiente para com a preciosa ajuda do Fábio lhe começar a cortar com uma tesoura de barbeiro aquela lã horrorosa.Não foi tarefa fácil.Pela dificuldade em estar quieta e porque nem a tesoura entrava no pêlo!! Depois de algumas horas ficou um pouco mais leve,para no dia seguinte a levar a tosquiar a sério.Dvo dizer que nesse dia almocei às 4 da tarde!!…Mas eu e o Fábio estavamos felizes!
Chamavam-lhe “pantera”!!! a uma pequena caniche!… Eu passei a chamar-lhe PINTA para que o som tivesse alguma semelhança. Aprendeu a comer- devorou uma lata em segundos- e a beber água duma taça, já que só sabia lamber uma esfregona.Teve logo a sua alcofa para dormir,e ficou sossegada a usufruir de tanta mordomia!
Isto passou-se ainda não há um mês, hoje é uma cadelinha feliz e até já brinca, embora de forma amalucada com as suas restantes DEZ companheiras do Paraíso, ou melhor, do JardimdaTribo.